NÃO É FÁCIL EXPERIMENTAR UMA TRISTEZA MORTAL!
“A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem". Marcos 14.34.
O texto citado é bem
conhecido! Fiz propositalmente um recorte da fala de Jesus dita ali no jardim
do Getsêmane, poucas horas antes da sua crucificação. Jesus é o Sumo Sacerdote
Perfeito porque à nossa semelhança sofreu todas as coisas, foi tentado em todas
as coisas. Ele sabe o que sentimos. Ele conhece as nossas dores mais invisíveis
aos olhos humanos e sabe como chegar a elas e tratá-las. Ele intercede por nós
continuamente. A Bíblia está cheia de relatos de servos de Deus que passaram
por momentos de tristeza profunda: Elias, Jeremias, Davi, Paulo, Jó, isto só
para citar alguns. Alguns deles chegaram a amaldiçoar o dia do nascimento,
outros desejaram para si a morte, todos se sentiram no fundo do poço. E até o
próprio Senhor Jesus sentiu a alma profundamente triste até a morte! O texto
traz duas afirmações que nos chamam a atenção em meio às dores de alma: A
aceitação ou reconhecimento do estado emocional. Por causa do preconceito as
pessoas tendem a esconder ou negar tal estado. Jesus quebra esse paradigma e
declara: “A minha alma está profundamente
triste, numa tristeza mortal; E A necessidade de assistência e ajuda. A
pior coisa que um depressivo pode fazer é se isolar. E aqui encontramos o
Senhor dos Senhores, o Rei dos Reis requisitando a companhia dos seus amigos.“Fiquem aqui e vigiem".
O que nos faz pensar que
não podemos ser emboscados por uma tristeza profunda, mortal ou em sua forma
mais severa que é a depressão? Que tem
sido tão pouco compreendida em nosso meio, alvo de tanto preconceito e tantos
“achismos”. Somos tão pouco caridosos com os que estão passando por uma
depressão! Logo arrumamos fórmulas mágicas para tentar amenizar os sintomas e
fazer com que a pessoa, mecanicamente volte a sorrir, invariavelmente essa
atitude não é porque nos preocupamos com a pessoa, mas é por causa do incômodo
que a situação causa a nós. Essa é a grande e triste realidade! Quantas vezes
os momentos de tristeza se transformam em depressões severas! E quando as
coisas se tornam mais complicadas é preciso sim, se recorrer a um profissional
médico psiquiatra e psicólogo para que sejam associados terapia e medicamentos.
Coisa difícil de aceitar em nosso meio! Contudo, gostaria de chamar a atenção
para a necessidade de independente da ação de um profissional nos processos
depressivos ou de outras patologias emocionais, empreendermos um derramar
profundo do nosso coração na presença de Papai. É ali o único lugar onde nos
rasgamos com a mais absoluta sinceridade de coração sem as críticas humanas. É
no colo de Deus que encontramos refrigério e descanso para as nossas almas abatidas
e inquietas!
O que aprendemos aqui?
Tanto o Senhor pode agir sobrenaturalmente ou usando os meios naturais através
do conhecimento que Ele mesmo deu aos seres humanos. Depressão não é fraqueza,
muito pelo contrário, embora as causas sejam muitas! Quantas vezes não nos
deprimimos ou ficamos ansiosos chegando até a ter ataques de pânico por termos
sido fortes por tanto tempo! Conheço tantas histórias de homens e mulheres de
fé, de oração que enfrentaram momentos de intensa infelicidade. Guerreiros de oração
que em sua jornada por esta vida se depararam com essa inimiga gigantesca
chamada depressão, que definitivamente não faz acepção de pessoas nem de idade.
Conta-se que Charles Spurgeon, chamado de príncipe dos pregadores, alguém que
tinha uma profunda experiência com Deus sofria dessa terrível enfermidade.
Certa vez ele declarou: “Passo por depressões tão profundas que jamais gostaria
que vocês experimentassem tal estado de infelicidade”! Assim, Nenhum de nós
está livre de um dia experimentá-la. Não julguemos a dor do outro! Sejamos
benignos, empáticos e compassivos com aqueles que estão deprimidos, hoje é o
nosso irmão, amanhã pode ser qualquer um de nós! Reconhecer e aceitar não no
sentido de acolher a enfermidade, mas entender que isso é algo que todos
estamos sujeitos e a partir daí buscar ajuda. Sejamos acolhedores, benignos e
compassivos com os que estão à nossa volta! Nadia Malta


